Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Volta Bocage — Manuel M. B. du Bocage


Soneto 4

(Psicografado em 28/11/1946)


  1 Volta, Bocage, ao mundo e grita ao Fado

  Que a Fama vil padece desengano,

  Que a carícia de Ismene é fogo insano

  Depois do escuro Estige atravessado.


  2 Antes viver no exílio sem agrado,

  Sofrer de Goa o beleguim tirano,

  Beijar fusco Hidal-Khan por soberano

  Que ser presa de gozo desmarcado.


  3 Preferível guardar ervadas setas

  Da calúnia que mata pouco a pouco,

  Sucumbindo entre as dores mais abjetas,


  4 Que morrer, de olhar baço e peito rouco,

  Na miserável chusma dos patetas

  E acordar no outro mundo como louco.


Du Bocage


Combate a vaidade que aspira à fama e glória entre os homens. Todos os sofrimentos, todas as humilhações são preferíveis à sede de admiração mundana; esta nos enche de orgulho e de ilusões e nos projeta num mundo de dores atrozes, após o desligamento do Espírito, longe da multidão ignara que nos incensava. Ainda nos acautela contra as falsas delícias amorosas, que, após a morte do corpo, se transformam em chamas torturantes para o Espírito.


L. C. Porto Carreiro Neto


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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